sexta-feira, 30 de maio de 2014

Trave

Gosto do "quase". 
O momento que antecede um "quase" beijo; 
Uma "quase" história de amor; 
Uma mensagem "quase" enviada;
Uma "quase" vida
interrompida por um
'e se...' 

sábado, 24 de maio de 2014

Choro






Acho que a gente precisa mesmo abrir a torneira, de vez em quando, e molhar o concreto. 

Recife, cidade vertical

Recife cresce conforme cresce o ego da população. Uma cidade vertical, amedrontada e suja. A cidade em que se destrói o rosto de Ascenso Ferreira, se desrespeita a memória de Gonzaga... e o busto de Artur de Lima Cavalcante, quem viu?  A cidade em que os muros gritam por socorro e o Capibaribe tenta respirar em meio a poluição. Recife dos carros amontoados na pista, dos cidadãos amarrotados no transporte público e dos pacientes jogados nos corredores dos hospitais. O estado que elegeu o homem que nega a nossa situação pelo país. A capital que abriga em suas ruas mais de 100 mil animais abandonados, em que as pessoas passam cegas pela miséria nas ruas e que os aquários capitalistas seguem lotados aos fins de semana.

O que importa morar em um apartamento minúsculo se o agradável é ostentar um prédio com piscina, salão de jogos, sauna e o escambau à quatro?! Visto de cima é tudo tão minúsculo que mal cabe no globo ocular. Da vista para a praia mal se vê o descaso de Renildo. O centro histórico de Olinda parece uma cidade distinta. Algo que sobreviveu e não se alinha a um todo.
Nas ruas só se ouve falar na Copa do Mundo. odiada e amada. A copa dos buracos, dos BRT's pela metade, da audiência lucrativa...afinal, a Copa do Mundo no Brasil vai ser vista pela maior parte da população através de uma tela de vidro.

Recife, cidade vertical de ego vertical e pensamento em declínio!

A cidade do século XXI, citada na imprensa, é o suor da classe média em forma de rio; a revolta dos pobres que são saqueados todos os dias e só se vêem como vândalos; é a cidade do século XXI para o rico que aplica aqui e vai desfrutar no exterior, onde existe, de fato, o tal mundo desenvolvido.

Enquanto tudo isso acontece, os "barões", mais carnívoros que os tubarões de Boa Viagem, saqueiam a nossa cultura, na surdina da noite, esperando que, assim como no poema de Maiakovski, "já não podemos dizer nada".




Imagem: Thamyres Aguiar

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Elefante branco

Tem dias que eu acordo mergulhada em verbo. Pelas minhas pálpebras salta o discurso que minha boca cala. Ponho os pés no chão frio e pisoteio todos os meus ideais aprisionados em A4, vejo os rostos das palavras, prontas para me sugar pra dentro de tudo aquilo que eu crio e não compartilho. 

No chuveiro, os poros abrem e derramam mais meia dúzia de pensamentos que não se encaixam. Engulo o café com duas colheres rasas de esperança e me decomponho em cada canto da casa. 

Me remexo dentro de mim, não me caibo. 


terça-feira, 20 de maio de 2014

Regresso


A fresta da janela, por onde vaza a imensidão do luar, espelhada no teto do meu quarto, fez-me sentir saudades do cheiro das minhas palavras.
 
 
Andei distante, na missão de me moldar. No entanto, respirou, insípido, tudo aquilo que resolvi desabafar. É que as vezes preencho tanto que inundo, mas há horas que sou sertão na seca. Só um poeta enclausurado no corpo de um soldado ousaria entender.
 
 
Mas de repente a luz rompeu o sono e despertou em mim aquilo que não dá para se conter: não se pode moldar o mar.